segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Picadeiro de cegos no circo das raposas.


O show vai começar!

Mas a vida do morador carioca, do brasileiro, não há de parar, estamos aí, tentando circular nos transportes públicos que a 6 anos atrás foram anunciados como de primeira mundo, mas não aconteceu, com as melhorias na segurança, mas olhando por cima do ombro e entre vigílias buscando as obras importantes prometidas à infraestrutura da cidade.

Eis que de manhã indo trabalhar me deparo com uma corrente que "parecia" nova protegendo o valão que chamamos de "rio Maracanã"... coisa simples e menor diante do grande quadro, mas ainda assim parece que digna de atenção.

Caminhando para o ônibus parei para olhar mais de perto e percebi que não era nova, mas sim que havia sido pintada com uma tinta prateada e pensei: "pronto, a lona do circo foi levantada e o show vai começar, como esperado, todos de olhos no picadeiro passaram despercebidos pela imundície que os cerca à uma 'lona' de distância.

E os otimistas reverberam... As pessoas são ruins porque percebem o quanto há de errado, por se sentirem novamente tapeadas... vejam a belaza do RJ, vejam tudo de bom! O que há de bom! Exaltem o que há de bom... o legado!

Sim, o legado do povo, coisas como essa bela corrente pintada (parece pouco, mas diz muito), onde não importa o ferrugem e o desgaste, mas o fato de que agora ela "parece" bonita e brilhante... uma simples "maquiagem".

E assim é por toda a cidade... verbas bilionárias distribuídas em todos os setores da cidade suficiente para construirmos uma nova cidade... e o que recebemos em troca é algo como a maquiagem das mais vagabundas, daquelas que na primeira "chuva de realidade" irá borrar e escorrer como na cara da mais pobre das meretrizes.

No fim é o que nos tornamos, nos vendemos por uns trocados, porque o que importa é que dê certo, é ter um sorriso no rosto e dizer como nossa cidade é bela... esquecendo que o simples fato de  ser uma cidade maquiada, que mesmo antes do show já dá mostras de podre, é sinal de que JÁ DEU errado. E enquanto aplaudimos, mostramos que estamos de acordo com todo ess espetáculo, corroborando para que nunca mude.

Bem vindos ao Rio Olímpico!
(pelo menos até setembro 😉)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pagamos muito por NADA!

SISTEMA LEGISLATIVO

Congresso brasileiro custa o dobro do que o de sete países da América Latina juntos

Do Opera Mundi - 20/09/2011 - 18h45


O Brasil é o país com o sistema legislativo mais caro da América Latina e seus parlamentares recebem os maiores salários, segundo estudo divulgado nessa terça-feira (20/09) pelo CIDE (Centro de Pesquisa e Docência Econômica).

De acordo com a pesquisa, em 2010, o Brasil destinou 4,67 bilhões de dólares do orçamento para o Poder Legislativo. O México gastou 730 milhões de dólares; a Venezuela, 380 milhões de dólares; a Argentina, 368 milhões de dólares; a Colômbia, 181 milhões de dólares; o Chile, 163 milhões de dólares; o Peru, 110 milhões de dólares; a Costa Rica, 76 milhões de dólares; e o Uruguai, 63 milhões de dólares.

O documento, no entanto, reitera que a verba depende do tipo de Congresso de cada país e do tamanho de seus parlamentos. Meso assi, os deputados e senadores do Brasil são os que recebem os maiores salários nominais da região: 15.942 dólares.

No México, os parlamentares ganham 12.310 dólares; no Chile, 10.878 dólares; na Colômbia, 10.240 dólares; no Uruguai, 7.156 dólares; no Peru, 5.491 dólares; na Argentina, 5.415 dólares; na Costa Rica, 4.955 dólares; e na Venezuela, 3.964 dólares.

O CIDE, um dos institutos de pesquisa mais prestigiados do México, aponta ainda que os salários do Brasil são superiores ao de países como Espanha, Reino Unido e Alemanha, onde os parlamentares ganham, respectivamente, 7.011 dólares, 7.858 dólares e 11 mil dólares.

"Se for medido quanto representa o salário anual dos legisladores com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita, ou seja, quanto ganha um parlamentar em relação ao nível de riqueza média por habitante do país, esse número vai ser excepcionalmente alto", advertiu o estudo.

No Brasil, um deputado ou senador ganham 17,69 vezes o PIB per capita do país. No México, essa proporção é de 15,44 vezes. Mais abaixo da tabela, aparecem países como Argentina, onde os legisladores ganham 7,11 vezes o PIB per capita, e Venezuela, onde os legisladores recebem 4,78 vezes. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa proporção é de 3,68 vezes.

Por outro lado, tendo como base a despesa total do país, a nação da América Latina que mais dispensa recursos ao legislativo é a Costa Rica (0,92%), seguido por Uruguai (0,63%), Argentina (0,52%) e Venezuela (0,51%). O Brasil aparece na quinta posição, com 0,46%.

Ao se dividir o orçamento que cada país dedica a seu parlamento entre o número de habitantes de cada nação, o resultado é que cada brasileiro gasta 24 dólares com cada parlamentar.

http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/53188/congresso+brasileiro+custa+o+dobro+do+que+o+de+sete+paises+da+america+latina+juntos.shtml

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para que estudar se a sociedade premia o menor esforço?


Honoris causa, abreviado como h.c., é uma locução latina (em português: "por causa de honra") usada em títulos honoríficos concedidos por universidades a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições.

Historicamente um Doutor honoris causa (ou Doctor honoris causa) recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram umdoutorado acadêmico de forma convencional - a menos que se especifique o contrário.

A pessoa que recebe o título de "doutor honoris causa" pode usar a abreviação "Dr. h. c.". Caso já tenha um título de doutorado acadêmico, poderá utilizar a abreviação "Dr. Dr. h. c.". A pessoa honrada com mais de um título de doutor honoris causa, poderá usar a abreviação "Dr. h. c. mult." (Doutor honoris causa multiplex).



Lula recebe título de Doutor Honoris Causa da UFBA

O Conselho Universitário da UFBA, atendendo a proposta da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, havia decidido pela outorga do título em 30 de outubro de 2002, três dias após Lula ter vencido as eleições para seu primeiro mandato, mas o ex-presidente optou por receber a homenagem após sair do governo.

Em seu discurso, Lula lembrou das personalidades que foram laureadas com o mesmo título na UFBA. "Ficarei na ótima companhia dos meus amigos Oscar Niemeyer e Gilberto Gil, do ex-presidente Juscelino Kubitschek, de Dorival Caymmi, do teatrólogo Dias Gomes, do cientista Albert Sabin e do casal de escritores Zélia Gattai e Jorge Amado", disse.

O ex-presidente também citou as principais realizações de seu governo na área da Educação. "Orgulho-me de termos criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, nas mais diversas regiões do país, democratizando o acesso ao ensino superior. Simplesmente dobramos o número de vagas nas universidades públicas.Além disso, garantimos, com o Prouni, que 912 mil jovens de baixa renda, alunos das escolas públicas da periferia, pudessem cursar o ensino superior."

Durante a entrega do diploma, estudantes protestaram pedindo 10% do PIB para a educação. Lula viu a mesma reivindicação durante a festa de 5 anos da UFABC. Na ocasião, disse que respeita o movimento, e que essa porcentagem é nova. "Até ontem, a faixa [pedindo mais investimento] era de 7%, e o ministro Fernando Haddad mandou para o Congresso Nacional um plano de educação que prevê exatamente 7%".

Sétimo título
No próximo dia 27, Lula receberá o sétimo doutoramento honoris causa, desta vez da universidade francesa Sciences Po. O ex-presidente será a 16ª personalidade – e a primeira latino-americana – que receberá essa láurea desde a fundação da instituição, em 1871.

http://www.icidadania.org/2011/09/lula-recebe-titulo-de-doutor-honoris-causa-da-ufba/



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

STJ anula provas obtidas pela PF em investigação contra família Sarney




O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todas as provas obtidas pela Polícia Federal ao investigar os negócios do empresário Fernando Sarney e outros familiares do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), segundo o jornal Folha de S. Paulo. Escutas telefônicas, extratos bancários e documentos fiscais não poderão ser usados em processos judiciais, de acordo com o jornal.

Os ministros do STJ teriam considerado que os grampos que originaram as quebras de sigilo foram ilegais, pois apenas deveriam ser usados após se esgotarem os demais recursos de investigação. Segundo a Folha de S. Paulo, Sarney e sua filha, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), aparecem nas interceptações telefônicas tratando com Fernando Sarney e outras pessoas de nomeações para cargos estratégicos no governo Lula.

Em julho de 2009, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, censurou o 'Estado' a pedido do empresário Fernando Sarney. Neste sábado, 17, a censura completa 779 dias.
Na ocasião, Vieira, que mantém relações sociais com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), proibiu o jornal de veicular reportagens da investigação da PF. O desembargador acolheu recurso (agravo de instrumento) contra decisão do juiz Daniel Felipe Machado, da 12.ª Vara Cível de Brasília, que havia rechaçado a censura. Vieira impôs multa de R$ 150 mil para cada "ato de violação", isto é, para cada reportagem publicada.


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas colhidas durante a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que investigou suspeitas de crimes cometidos por integrantes da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os ministros da 6ª Turma do STJ consideraram ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações.  
Revelações sobre a Boi Barrica, feitas pelo Estado de S. Paulo, em 2009, levaram a Justiça a decretar censura ao jornal, acolhendo pedido do empresário Fernando Sarney, filho do senador.

Com a anulação das interceptações ficam comprometidas outras provas obtidas posteriormente, resultantes de quebras de sigilo bancário e fiscal. Volta praticamente à estaca zero a apuração de uma suposta rede de crimes cometidos pelo grupo a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie às vésperas da eleição de 2006 e registrado como movimentação atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na época, Roseana Sarney era candidata ao governo do Maranhão.

Com as escutas e informações sobre movimentação financeira, a PF abriu cinco inquéritos e apontou indícios de tráfico de influência no governo federal, formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro.
Em julho de 2009, depois de seis horas de depoimento na Superintendência da PF, em São Luís, o empresário Fernando José Macieira Sarney, filho do presidente do Senado, chegou a ser indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha.

O STJ tomou a decisão ao analisar um pedido de João Odilon Soares, funcionário do grupo Mirante de comunicação, que pertence à família Sarney. Soares também foi investigado. Para conseguir anular as provas, o advogado Eduardo Ferrão baseou-se em decisões anteriores tomadas pelo STJ e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma dessas decisões recentes, o STJ anulou as provas da Operação Satiagraha, que investigou suspeitas de corrupção supostamente envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Na ocasião, os ministros da 5ª Turma do tribunal concluíram que foi ilegal a participação nas investigações de integrantes da Agência Nacional de Inteligência (Abin).

"Os precedentes do STF e do STJ entendem que as decisões judiciais que autorizam interceptação têm de ser rigorosamente fundamentadas", disse Ferrão. "O STJ falou que está nulo porque (a investigação) não respeitou a Constituição Federal e a lei", afirmou Ferrão ao Estado.

"No caso, nós entendemos que não havia fundamentação. Eles não indicavam quais eram as suspeitas. E as interceptações foram prorrogadas por 18 vezes. Foram 200 dias de bisbilhotagem, foi uma devassa", disse o advogado.

Ferrão também reclamou que a quebra de sigilo afetou pessoas que não estavam sob investigação, como advogados e jornalistas. De acordo com ele, isso ocorreu porque a Justiça Federal no Maranhão decretou a quebra de sigilo dos e-mails de todos os funcionários do grupo Mirante.

O advogado sustenta que a anulação das provas não significa o fim das investigações e, consequentemente, a impunidade dos investigados. "As investigações devem prosseguir. Os investigados têm interesse que as investigações sejam realizadas e concluídas. Mas de acordo com a lei", afirmou. "Os registros bancários continuarão existindo. Os extratos estarão disponíveis daqui a 10 ou 20 anos", disse.





sábado, 17 de setembro de 2011

O que será preciso para a mobilização dos brasileiros?


Preço de queijo deflagra onda de protestos em Israel

                 
Queijo Cottage/Reuters

O queijo cottage é ingrediente fudamental do café da manhã dos israelenses

Uma discussão iniciada no Facebook sobre a alta do preço do queijo cottage deflagrou uma onda de protestos em Israel contra a diminuição do poder aquisitivo no país.

Para os israelenses o queijo cottage é o pilar do café da manhã, o tipo de produto que sentem faltam quando estão no exterior.

O renomado chef israelense Yisrael Aharoni diz que não se surpreendeu por o tema ter despertado um sentimento mais profundo de descontentamento entre os cidadãos comuns.

"Estou animado com isso, espero e acredito que trará mudanças. Não fazíamos esse tipo de coisa havia tanto tempo e a desculpa sempre foi que a situação política era dura o suficiente, mas não podemos mais aceitar essa desculpa", diz ele.

Preços suíços, salários gregos

Os protestos do queijo cottage mostraram o caminho e, durante o verão no hemisfério norte, nasceram as "cidades de barracas", acampamentos de manifestantes em diversas partes do país.

Em Tel Aviv, as barracas ficam no meio do canteiro do elegante Boulevard Rothschild.

"Cidade de barracas" em Tel Aviv

O protesto em Tal Aviv é o maior dos que ocorrem em Israel

A atmosfera no local é uma mistura de praça Tahrir com Woodstock e algum acampamento no sul da França.

Embora pareçam organizados, este é o tipo de protestos que os governos odeiam. É espontâneo, não foi obra de sindicatos ou políticos oposicionistas, não faz exigências concretas, mas é motivado por uma sensação mais profunda de insatisfação.

O problema não é a força da economia, já que os dados de crescimento e o índice de desemprego são bons.

Os manifestantes querem saber como se encontram em uma situação na qual pagam preços suíços e recebem salários gregos. Eles também suspeitam que os políticos corruptos e empresários gananciosos têm parte da culpa.

Levantes árabes

Os manifestantes citam o já crônico problema da baixa oferta de residências no país. Ao contrário de outros países desenvolvidos, a maioria da terra em Israel é nacionalizada, pertence e é controlada por imobiliárias estatais, uma herança dos instintos esquerdistas dos fundadores de Israel.

Poderia fazer sentido em 1948, mas não ajuda muito os que desejam construir mais casa hoje em dia. Os processos de planejamento e aprovação são dignos de pesadelos.

Portanto, é difícil para jovens casais e muitas famílias israelenses gastar boa parte de seus rendimentos em alugueis ou hipotecas.

O colunista do jornal israelense Haaretz Gideon Levy acredita que os protestos estão ligados aos ocorridos este ano no mundo árabe, embora esteja ciente de que críticos lembrem que os levantes em países próximos lutavam por liberdade de expressão e os manifestantes em Israel pedem laticínios mais baratos.

Netanyahu/Getty

Netanyahu adiou uma viagem ao exterior

No entanto, ele fala de um "efeito borboleta", transmitindo a energia de protestos da Tunísia ao Egito e para Israel.

"Os objetivos são diferentes, o sistema é diferente. Mas a convicção é a de que as multidões fazem a diferença e as pessoas podem escolher. Realmente acredito que o Egito nos ensinou uma lição", diz ele.

O governo israelense parece ligeiramente aturdido com o repentino descontentamento público e o premiê, Binyamin Netanyahu, adiou uma viagem para a Europa. O governo preparou rapidamente um pacote de reformas que inclui a promessa de construção de mais residências para estudantes.

Mas colocar o gênio da insatisfação de volta na garrafa não será tarefa fácil e o governo lida com a dificuldade mais temida pelos governos: a sensação vaga, crescente e perigosa de que nada vai muito bem.

 

Notícias relacionadas

Vamos criar a CCMEF?


Sábado, Setembro 03, 2011

RUTH DE AQUINO - Vamos criar a CCMEF?

 

Fonte: Revista Época

Em vez de reviver a CPMF, sugiro criar a Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais



Dilma está certa. É urgente. Em lugares remotos do Brasil, hospitais públicos são mais centros de morte que de cura. Não é possível "fazer mágica" para melhorar a saúde, afirmou Dilma. Verdade. De onde virá a injeção de recursos? A presidente insinuou que vai cobrar de nós, pelo redivivo "imposto do cheque". Em vez de tirar a CPMF da tumba, sugiro criar a CCMEF: Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais.

A conta é básica. A Saúde perdeu R$ 40 bilhões por ano com o fim da CPMF, em 2007. As estimativas de desvio de verba pública no Brasil rondam os R$ 40 bilhões por ano. Empatou, presidente.

É só ter peito para enfrentar as castas. Um país recordista em tributação não pode extrair, de cada cheque nosso, um pingo de sangue para fortalecer a Saúde. Não enquanto o governo não cortar supérfluos nem moralizar as contas.

Uma cobrança de 0,38% por cheque é, segundo as autoridades, irrisória diante do descalabro da Saúde. A "contribuição provisória" foi adotada por Fernando Henrique Cardoso em 1996 e se tornou permanente. O Lula da oposição dizia que a CPMF era "um roubo", uma usurpação dos direitos do trabalhador. Depois, o Lula presidente chamou a CPMF de "salvação da pátria". Tentou prorrogar a taxação, mas foi derrotado no Congresso.

Em vez de reviver a CPMF, sugiro criar a Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais

A CPMF é um imposto indireto e pernicioso. Pagamos quando vamos ao mercado e mesmo quando pagamos impostos. É uma invasão do Estado nas trocas entre cidadãos. Poderíamos dizer que a aversão à CPMF é uma questão de princípio.

Mas é princípio, meio e fim. Não é, presidente?

"Não sou a favor daquela CPMF, por conta de que ela foi desviada. Por que o povo brasileiro tem essa bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a Saúde", afirmou Dilma. E como crer que, agora, não haverá mais desvios?

Como acreditar? O Ministério do Turismo deu, no fim do ano passado, R$ 13,8 milhões para uma ONG treinar 11.520 pessoas. A ONG foi criada por um sindicalista sem experiência nenhuma com turismo. Como acreditar? A Câmara dos Deputados absolveu na semana passada Jaqueline Roriz, apesar do vídeo provando que ela embolsou R$ 50 mil no mensalão do DEM.

Como acreditar? Os ministros do STF exigem 14,7% de aumento para passar a ganhar mais de R$ 30 mil. Você terá reajuste parecido neste ano? O orçamento do STF também inclui obras e projetos, como a construção de um prédio monumental para abrigar a TV Justiça. É prioridade?

O Congresso gasta, segundo a organização Transparência Brasil, R$ 11.545 por minuto. O site Congresso em Foco diz que cada um de nossos 513 deputados federais custa R$ 99 mil por mês. Cada um dos 81 senadores custa R$ 120 mil por mês. São os extras. E o Tiririca ainda não descobriu o que um deputado federal faz.

"É sério. Vamos ter de discutir de onde o dinheiro vai sair (para a Saúde)."

Tem razão, presidente. Mas, por favor, poupe-nos de seu aspirador seletivo.

A senhora precisa mesmo de 39 ministérios consumindo bilhões? Aspire os bolsos gordos da turma do Novais, do Roriz, do Sarney. Apele à consciência cívica dos políticos e juí­zes que jamais precisaram do Sistema Único de Saúde.

Vamos criar o mensalão da Saúde. Um mensalão do bem, presidente. Corruptos que contribuírem serão anistiados. ONGs fantasmas, criadas com a ajuda de ministros & Cia., terão um guichê especial para suas doações. O pessoal que já faturou por fora com a Copa está convocado a dar uns trocados para a Saúde.

Enfiar goela abaixo dos brasileiros mais um imposto, nem com anestesia. Um dia nossos presidentes entenderão o que é crise de governabilidade. Não é a revolta dos engravatados em Brasília nem a indignação dos corredores e gabinetes. A verdadeira crise de poder acontece quando o povo se cansa de ser iludido.

Os árabes descobriram isso tarde demais. Deitavam-se em sofás de sereias de ouro, cúmulo da cafonice. Eles controlavam a mídia, da mesma forma que os companheiros do PT estão tentando fazer por aqui. Não deu certo lá. Abre o olho, presidente.