quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pagamos muito por NADA!

SISTEMA LEGISLATIVO

Congresso brasileiro custa o dobro do que o de sete países da América Latina juntos

Do Opera Mundi - 20/09/2011 - 18h45


O Brasil é o país com o sistema legislativo mais caro da América Latina e seus parlamentares recebem os maiores salários, segundo estudo divulgado nessa terça-feira (20/09) pelo CIDE (Centro de Pesquisa e Docência Econômica).

De acordo com a pesquisa, em 2010, o Brasil destinou 4,67 bilhões de dólares do orçamento para o Poder Legislativo. O México gastou 730 milhões de dólares; a Venezuela, 380 milhões de dólares; a Argentina, 368 milhões de dólares; a Colômbia, 181 milhões de dólares; o Chile, 163 milhões de dólares; o Peru, 110 milhões de dólares; a Costa Rica, 76 milhões de dólares; e o Uruguai, 63 milhões de dólares.

O documento, no entanto, reitera que a verba depende do tipo de Congresso de cada país e do tamanho de seus parlamentos. Meso assi, os deputados e senadores do Brasil são os que recebem os maiores salários nominais da região: 15.942 dólares.

No México, os parlamentares ganham 12.310 dólares; no Chile, 10.878 dólares; na Colômbia, 10.240 dólares; no Uruguai, 7.156 dólares; no Peru, 5.491 dólares; na Argentina, 5.415 dólares; na Costa Rica, 4.955 dólares; e na Venezuela, 3.964 dólares.

O CIDE, um dos institutos de pesquisa mais prestigiados do México, aponta ainda que os salários do Brasil são superiores ao de países como Espanha, Reino Unido e Alemanha, onde os parlamentares ganham, respectivamente, 7.011 dólares, 7.858 dólares e 11 mil dólares.

"Se for medido quanto representa o salário anual dos legisladores com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita, ou seja, quanto ganha um parlamentar em relação ao nível de riqueza média por habitante do país, esse número vai ser excepcionalmente alto", advertiu o estudo.

No Brasil, um deputado ou senador ganham 17,69 vezes o PIB per capita do país. No México, essa proporção é de 15,44 vezes. Mais abaixo da tabela, aparecem países como Argentina, onde os legisladores ganham 7,11 vezes o PIB per capita, e Venezuela, onde os legisladores recebem 4,78 vezes. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa proporção é de 3,68 vezes.

Por outro lado, tendo como base a despesa total do país, a nação da América Latina que mais dispensa recursos ao legislativo é a Costa Rica (0,92%), seguido por Uruguai (0,63%), Argentina (0,52%) e Venezuela (0,51%). O Brasil aparece na quinta posição, com 0,46%.

Ao se dividir o orçamento que cada país dedica a seu parlamento entre o número de habitantes de cada nação, o resultado é que cada brasileiro gasta 24 dólares com cada parlamentar.

http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/53188/congresso+brasileiro+custa+o+dobro+do+que+o+de+sete+paises+da+america+latina+juntos.shtml

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para que estudar se a sociedade premia o menor esforço?


Honoris causa, abreviado como h.c., é uma locução latina (em português: "por causa de honra") usada em títulos honoríficos concedidos por universidades a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições.

Historicamente um Doutor honoris causa (ou Doctor honoris causa) recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram umdoutorado acadêmico de forma convencional - a menos que se especifique o contrário.

A pessoa que recebe o título de "doutor honoris causa" pode usar a abreviação "Dr. h. c.". Caso já tenha um título de doutorado acadêmico, poderá utilizar a abreviação "Dr. Dr. h. c.". A pessoa honrada com mais de um título de doutor honoris causa, poderá usar a abreviação "Dr. h. c. mult." (Doutor honoris causa multiplex).



Lula recebe título de Doutor Honoris Causa da UFBA

O Conselho Universitário da UFBA, atendendo a proposta da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, havia decidido pela outorga do título em 30 de outubro de 2002, três dias após Lula ter vencido as eleições para seu primeiro mandato, mas o ex-presidente optou por receber a homenagem após sair do governo.

Em seu discurso, Lula lembrou das personalidades que foram laureadas com o mesmo título na UFBA. "Ficarei na ótima companhia dos meus amigos Oscar Niemeyer e Gilberto Gil, do ex-presidente Juscelino Kubitschek, de Dorival Caymmi, do teatrólogo Dias Gomes, do cientista Albert Sabin e do casal de escritores Zélia Gattai e Jorge Amado", disse.

O ex-presidente também citou as principais realizações de seu governo na área da Educação. "Orgulho-me de termos criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, nas mais diversas regiões do país, democratizando o acesso ao ensino superior. Simplesmente dobramos o número de vagas nas universidades públicas.Além disso, garantimos, com o Prouni, que 912 mil jovens de baixa renda, alunos das escolas públicas da periferia, pudessem cursar o ensino superior."

Durante a entrega do diploma, estudantes protestaram pedindo 10% do PIB para a educação. Lula viu a mesma reivindicação durante a festa de 5 anos da UFABC. Na ocasião, disse que respeita o movimento, e que essa porcentagem é nova. "Até ontem, a faixa [pedindo mais investimento] era de 7%, e o ministro Fernando Haddad mandou para o Congresso Nacional um plano de educação que prevê exatamente 7%".

Sétimo título
No próximo dia 27, Lula receberá o sétimo doutoramento honoris causa, desta vez da universidade francesa Sciences Po. O ex-presidente será a 16ª personalidade – e a primeira latino-americana – que receberá essa láurea desde a fundação da instituição, em 1871.

http://www.icidadania.org/2011/09/lula-recebe-titulo-de-doutor-honoris-causa-da-ufba/



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

STJ anula provas obtidas pela PF em investigação contra família Sarney




O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todas as provas obtidas pela Polícia Federal ao investigar os negócios do empresário Fernando Sarney e outros familiares do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), segundo o jornal Folha de S. Paulo. Escutas telefônicas, extratos bancários e documentos fiscais não poderão ser usados em processos judiciais, de acordo com o jornal.

Os ministros do STJ teriam considerado que os grampos que originaram as quebras de sigilo foram ilegais, pois apenas deveriam ser usados após se esgotarem os demais recursos de investigação. Segundo a Folha de S. Paulo, Sarney e sua filha, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), aparecem nas interceptações telefônicas tratando com Fernando Sarney e outras pessoas de nomeações para cargos estratégicos no governo Lula.

Em julho de 2009, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, censurou o 'Estado' a pedido do empresário Fernando Sarney. Neste sábado, 17, a censura completa 779 dias.
Na ocasião, Vieira, que mantém relações sociais com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), proibiu o jornal de veicular reportagens da investigação da PF. O desembargador acolheu recurso (agravo de instrumento) contra decisão do juiz Daniel Felipe Machado, da 12.ª Vara Cível de Brasília, que havia rechaçado a censura. Vieira impôs multa de R$ 150 mil para cada "ato de violação", isto é, para cada reportagem publicada.


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas colhidas durante a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que investigou suspeitas de crimes cometidos por integrantes da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os ministros da 6ª Turma do STJ consideraram ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações.  
Revelações sobre a Boi Barrica, feitas pelo Estado de S. Paulo, em 2009, levaram a Justiça a decretar censura ao jornal, acolhendo pedido do empresário Fernando Sarney, filho do senador.

Com a anulação das interceptações ficam comprometidas outras provas obtidas posteriormente, resultantes de quebras de sigilo bancário e fiscal. Volta praticamente à estaca zero a apuração de uma suposta rede de crimes cometidos pelo grupo a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie às vésperas da eleição de 2006 e registrado como movimentação atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na época, Roseana Sarney era candidata ao governo do Maranhão.

Com as escutas e informações sobre movimentação financeira, a PF abriu cinco inquéritos e apontou indícios de tráfico de influência no governo federal, formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro.
Em julho de 2009, depois de seis horas de depoimento na Superintendência da PF, em São Luís, o empresário Fernando José Macieira Sarney, filho do presidente do Senado, chegou a ser indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha.

O STJ tomou a decisão ao analisar um pedido de João Odilon Soares, funcionário do grupo Mirante de comunicação, que pertence à família Sarney. Soares também foi investigado. Para conseguir anular as provas, o advogado Eduardo Ferrão baseou-se em decisões anteriores tomadas pelo STJ e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma dessas decisões recentes, o STJ anulou as provas da Operação Satiagraha, que investigou suspeitas de corrupção supostamente envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Na ocasião, os ministros da 5ª Turma do tribunal concluíram que foi ilegal a participação nas investigações de integrantes da Agência Nacional de Inteligência (Abin).

"Os precedentes do STF e do STJ entendem que as decisões judiciais que autorizam interceptação têm de ser rigorosamente fundamentadas", disse Ferrão. "O STJ falou que está nulo porque (a investigação) não respeitou a Constituição Federal e a lei", afirmou Ferrão ao Estado.

"No caso, nós entendemos que não havia fundamentação. Eles não indicavam quais eram as suspeitas. E as interceptações foram prorrogadas por 18 vezes. Foram 200 dias de bisbilhotagem, foi uma devassa", disse o advogado.

Ferrão também reclamou que a quebra de sigilo afetou pessoas que não estavam sob investigação, como advogados e jornalistas. De acordo com ele, isso ocorreu porque a Justiça Federal no Maranhão decretou a quebra de sigilo dos e-mails de todos os funcionários do grupo Mirante.

O advogado sustenta que a anulação das provas não significa o fim das investigações e, consequentemente, a impunidade dos investigados. "As investigações devem prosseguir. Os investigados têm interesse que as investigações sejam realizadas e concluídas. Mas de acordo com a lei", afirmou. "Os registros bancários continuarão existindo. Os extratos estarão disponíveis daqui a 10 ou 20 anos", disse.





sábado, 17 de setembro de 2011

O que será preciso para a mobilização dos brasileiros?


Preço de queijo deflagra onda de protestos em Israel

                 
Queijo Cottage/Reuters

O queijo cottage é ingrediente fudamental do café da manhã dos israelenses

Uma discussão iniciada no Facebook sobre a alta do preço do queijo cottage deflagrou uma onda de protestos em Israel contra a diminuição do poder aquisitivo no país.

Para os israelenses o queijo cottage é o pilar do café da manhã, o tipo de produto que sentem faltam quando estão no exterior.

O renomado chef israelense Yisrael Aharoni diz que não se surpreendeu por o tema ter despertado um sentimento mais profundo de descontentamento entre os cidadãos comuns.

"Estou animado com isso, espero e acredito que trará mudanças. Não fazíamos esse tipo de coisa havia tanto tempo e a desculpa sempre foi que a situação política era dura o suficiente, mas não podemos mais aceitar essa desculpa", diz ele.

Preços suíços, salários gregos

Os protestos do queijo cottage mostraram o caminho e, durante o verão no hemisfério norte, nasceram as "cidades de barracas", acampamentos de manifestantes em diversas partes do país.

Em Tel Aviv, as barracas ficam no meio do canteiro do elegante Boulevard Rothschild.

"Cidade de barracas" em Tel Aviv

O protesto em Tal Aviv é o maior dos que ocorrem em Israel

A atmosfera no local é uma mistura de praça Tahrir com Woodstock e algum acampamento no sul da França.

Embora pareçam organizados, este é o tipo de protestos que os governos odeiam. É espontâneo, não foi obra de sindicatos ou políticos oposicionistas, não faz exigências concretas, mas é motivado por uma sensação mais profunda de insatisfação.

O problema não é a força da economia, já que os dados de crescimento e o índice de desemprego são bons.

Os manifestantes querem saber como se encontram em uma situação na qual pagam preços suíços e recebem salários gregos. Eles também suspeitam que os políticos corruptos e empresários gananciosos têm parte da culpa.

Levantes árabes

Os manifestantes citam o já crônico problema da baixa oferta de residências no país. Ao contrário de outros países desenvolvidos, a maioria da terra em Israel é nacionalizada, pertence e é controlada por imobiliárias estatais, uma herança dos instintos esquerdistas dos fundadores de Israel.

Poderia fazer sentido em 1948, mas não ajuda muito os que desejam construir mais casa hoje em dia. Os processos de planejamento e aprovação são dignos de pesadelos.

Portanto, é difícil para jovens casais e muitas famílias israelenses gastar boa parte de seus rendimentos em alugueis ou hipotecas.

O colunista do jornal israelense Haaretz Gideon Levy acredita que os protestos estão ligados aos ocorridos este ano no mundo árabe, embora esteja ciente de que críticos lembrem que os levantes em países próximos lutavam por liberdade de expressão e os manifestantes em Israel pedem laticínios mais baratos.

Netanyahu/Getty

Netanyahu adiou uma viagem ao exterior

No entanto, ele fala de um "efeito borboleta", transmitindo a energia de protestos da Tunísia ao Egito e para Israel.

"Os objetivos são diferentes, o sistema é diferente. Mas a convicção é a de que as multidões fazem a diferença e as pessoas podem escolher. Realmente acredito que o Egito nos ensinou uma lição", diz ele.

O governo israelense parece ligeiramente aturdido com o repentino descontentamento público e o premiê, Binyamin Netanyahu, adiou uma viagem para a Europa. O governo preparou rapidamente um pacote de reformas que inclui a promessa de construção de mais residências para estudantes.

Mas colocar o gênio da insatisfação de volta na garrafa não será tarefa fácil e o governo lida com a dificuldade mais temida pelos governos: a sensação vaga, crescente e perigosa de que nada vai muito bem.

 

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Vamos criar a CCMEF?


Sábado, Setembro 03, 2011

RUTH DE AQUINO - Vamos criar a CCMEF?

 

Fonte: Revista Época

Em vez de reviver a CPMF, sugiro criar a Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais



Dilma está certa. É urgente. Em lugares remotos do Brasil, hospitais públicos são mais centros de morte que de cura. Não é possível "fazer mágica" para melhorar a saúde, afirmou Dilma. Verdade. De onde virá a injeção de recursos? A presidente insinuou que vai cobrar de nós, pelo redivivo "imposto do cheque". Em vez de tirar a CPMF da tumba, sugiro criar a CCMEF: Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais.

A conta é básica. A Saúde perdeu R$ 40 bilhões por ano com o fim da CPMF, em 2007. As estimativas de desvio de verba pública no Brasil rondam os R$ 40 bilhões por ano. Empatou, presidente.

É só ter peito para enfrentar as castas. Um país recordista em tributação não pode extrair, de cada cheque nosso, um pingo de sangue para fortalecer a Saúde. Não enquanto o governo não cortar supérfluos nem moralizar as contas.

Uma cobrança de 0,38% por cheque é, segundo as autoridades, irrisória diante do descalabro da Saúde. A "contribuição provisória" foi adotada por Fernando Henrique Cardoso em 1996 e se tornou permanente. O Lula da oposição dizia que a CPMF era "um roubo", uma usurpação dos direitos do trabalhador. Depois, o Lula presidente chamou a CPMF de "salvação da pátria". Tentou prorrogar a taxação, mas foi derrotado no Congresso.

Em vez de reviver a CPMF, sugiro criar a Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais

A CPMF é um imposto indireto e pernicioso. Pagamos quando vamos ao mercado e mesmo quando pagamos impostos. É uma invasão do Estado nas trocas entre cidadãos. Poderíamos dizer que a aversão à CPMF é uma questão de princípio.

Mas é princípio, meio e fim. Não é, presidente?

"Não sou a favor daquela CPMF, por conta de que ela foi desviada. Por que o povo brasileiro tem essa bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a Saúde", afirmou Dilma. E como crer que, agora, não haverá mais desvios?

Como acreditar? O Ministério do Turismo deu, no fim do ano passado, R$ 13,8 milhões para uma ONG treinar 11.520 pessoas. A ONG foi criada por um sindicalista sem experiência nenhuma com turismo. Como acreditar? A Câmara dos Deputados absolveu na semana passada Jaqueline Roriz, apesar do vídeo provando que ela embolsou R$ 50 mil no mensalão do DEM.

Como acreditar? Os ministros do STF exigem 14,7% de aumento para passar a ganhar mais de R$ 30 mil. Você terá reajuste parecido neste ano? O orçamento do STF também inclui obras e projetos, como a construção de um prédio monumental para abrigar a TV Justiça. É prioridade?

O Congresso gasta, segundo a organização Transparência Brasil, R$ 11.545 por minuto. O site Congresso em Foco diz que cada um de nossos 513 deputados federais custa R$ 99 mil por mês. Cada um dos 81 senadores custa R$ 120 mil por mês. São os extras. E o Tiririca ainda não descobriu o que um deputado federal faz.

"É sério. Vamos ter de discutir de onde o dinheiro vai sair (para a Saúde)."

Tem razão, presidente. Mas, por favor, poupe-nos de seu aspirador seletivo.

A senhora precisa mesmo de 39 ministérios consumindo bilhões? Aspire os bolsos gordos da turma do Novais, do Roriz, do Sarney. Apele à consciência cívica dos políticos e juí­zes que jamais precisaram do Sistema Único de Saúde.

Vamos criar o mensalão da Saúde. Um mensalão do bem, presidente. Corruptos que contribuírem serão anistiados. ONGs fantasmas, criadas com a ajuda de ministros & Cia., terão um guichê especial para suas doações. O pessoal que já faturou por fora com a Copa está convocado a dar uns trocados para a Saúde.

Enfiar goela abaixo dos brasileiros mais um imposto, nem com anestesia. Um dia nossos presidentes entenderão o que é crise de governabilidade. Não é a revolta dos engravatados em Brasília nem a indignação dos corredores e gabinetes. A verdadeira crise de poder acontece quando o povo se cansa de ser iludido.

Os árabes descobriram isso tarde demais. Deitavam-se em sofás de sereias de ouro, cúmulo da cafonice. Eles controlavam a mídia, da mesma forma que os companheiros do PT estão tentando fazer por aqui. Não deu certo lá. Abre o olho, presidente.

Uma aposta com seu dinheiro


 

Autor(es): MARCOS CORONATO
Fonte: Revista Época - 05/09/2011
 

Dilma promete mudar a condução da economia – e o BC assusta ao tomar uma decisão fora do padrão. Estamos em risco?

Se alguém ainda esperava de Dilma Rousseff um governo acanhado de "presidente gerente", foi obrigado a mudar de ideia nas últimas semanas – e isso não é necessariamente uma boa notícia. A presidente fez uma curva aguda na condução da política econômica. O controle de gastos do governo passou a ser apresentado como responsabilidade de cada ministro, compartilhada com o Congresso. Nessa nova fase, o Banco Central passaria a contar com a ajuda do resto do governo nessa tarefa – se todos os órgãos gastassem menos e melhor, os preços no país tenderiam a subir menos. E a taxa básica de juros, antes empurrada para as alturas pelos hábitos perdulários do governo, passaria a encontrar terreno livre para cair. As mudanças anunciadas, embora animadoras, tiveram até o momento um único resultado. E ele é extremamente preocupante. O BC reduziu a taxa básica de juros – tradução: iniciou um movimento de aquecimento da economia – mesmo com a inflação em alta. Ao fazê-lo, praticou um ato de fé: aludiu ao autoproclamado empenho do governo em se tornar parcimonioso nos gastos, acreditando que isso ajudará a conter os aumentos de preços. É uma esperança. Orientar o combate à inflação por possibilidades, em vez de fatos, equivale a brincar com fogo.

A ordem correta e virtuosa dos fatos é a seguinte: primeiro o governo deve começar a economizar, depois a melhoria nas contas é constatada pelo mercado, a inflação então perde impulso graças à mudança e, aí sim, o BC age em resposta. Se o BC começar a cortar a taxa por antecipação e os gastos públicos não forem contidos como ele espera, o país entrará no (ou voltará ao) perigosíssimo terreno das experiências com a inflação alta. "A decisão do corte foi bastante precipitada. Temos um modelo que funciona. Não deveríamos começar a fazer maluquice com o regime de metas de inflação", diz Monica De Bolle, diretora do Instituto de Estudos de Política Econômica e ex-economista do Fundo Monetário Internacional.

O debate que importa nesse caso é sobre o modo como o BC atua – e não sobre o patamar "correto" da taxa básica de juros, se pouco mais ou pouco menos de 12% ao ano. Ninguém questiona que a taxa brasileira é alta demais (leia a coluna de Paulo Guedes). Há mesmo sinais importantes de que a economia dos países desenvolvidos pode frear novamente no futuro próximo. Como essas nações são fonte de investimento, crédito e negócios para o Brasil, o esfriamento da atividade e da geração de empregos que começa lá pode chegar aqui (já há alguns sinais na indústria). Nesse caso, seria bom o país dispor de juros mais baixos, para facilitar os investimentos. Mesmo assim, o corte da semana passada foi precipitado.

A nota sobre a decisão mencionou, como primeiro motivo, a economia parada dos países ricos e seu possível efeito de contenção de preços no Brasil. Essa é uma hipótese forte. Mas é uma hipótese. A inflação em alta é um fato. Ela está em 7% ao ano, e a expectativa de inflação para os próximos 12 meses se mantém perto de 5,5%, bem acima do nível desejável, de 4,5%. Como segundo motivo para o corte, o texto do BC mencionou a "revisão do cenário para a política fiscal". São as tais decisões pontuais do governo de aumentar neste ano a quantia economizada para pagar juros e refrear o aumento da dívida pública. "Para o BC, não tem importância se o saldo positivo das contas públicas é feito com receitas extraordinárias ou com cortes de gastos. Basta que se confirme a meta proposta", diz um integrante da equipe econômica. O governo, em uma medida louvável, anunciou que neste ano pretende economizar 3,3% do PIB em seus gastos (antes eram 3%).

Ainda não se pode dizer que o ocorrido na semana passada marca uma nova atuação no BC, influenciada mais por circunstâncias políticas do que pelos fundamentos econômicos. Mas, se as decisões sobre a taxa de juros se tornarem mais volúveis e passarem a acompanhar anúncios do governo, o mercado terá mais dificuldade de prever a inflação e determinar preços. Seria uma estratégia arriscada, divergente da que foi bem-sucedida nas administrações dos ex-presidentes do BC Armínio Fraga e Henrique Meirelles – com ambos, os movimentos da taxa eram considerados previsíveis e, após elevações, ela só voltava a cair depois que o inimigo – a inflação – apresentava sinais claros de enfraquecimento (leia no gráfico abaixo). Qualquer mostra de confiança na tão alardeada nova disciplina orçamentária do governo deveria ser mais comedida. Por enquanto, ela está presente principalmente em discursos.

Na quarta-feira passada, a presidente perdeu uma grande oportunidade de exibi-la no papel. Ao enviar ao Congresso a proposta de Orçamento do governo federal para 2012, Dilma e seus ministros incorreram em velhos problemas. A previsão é que a despesa total do governo federal deverá crescer 16% ou, sem contar pagamentos de juros, 10% – ambos os índices acima da evolução de receitas e investimentos. "Na proposta de Orçamento enviada ao Congresso, não há nenhuma novidade promissora, nada que se possa chamar de ajuste fiscal", diz o especialista em contas públicas Raul Velloso. O texto enviado pelo Executivo já superestima receitas e subestima despesas. Antes de colocá-lo em votação, o Legislativo deverá piorar um pouco mais a proposta, imaginando um cenário róseo de forte crescimento e arrecadação, para poder acomodar os interesses de gastos dos congressistas. No final, o governo deverá receber de volta um orçamento ficcional e, como de praxe, poderá ignorá-lo e tomar decisões caso a caso ao longo do ano.

A proposta contradiz mudanças importantes no discurso e na atuação política do governo nas últimas semanas. Elas vinham sendo percebidas por quem precisa, no dia a dia, avaliar o discurso das autoridades em público, ouvi-las nos bastidores e conversar com os técnicos. "Dilma mantém os mesmos compromissos e as mesmas preocupações, mas houve mudanças de tática para chegar aos objetivos", diz o consultor político Murillo Aragão, da Arko Advice. A presidente controla com firmeza o que os ministros podem falar em público. O discurso em Brasília, nas semanas recentes, foi adaptado – agora, todos podem reclamar dos juros altos, mas ninguém pode dar um pio sobre decisões para economizar mais. "O governo acaba de segurar R$ 10 bilhões que poderiam ter sido gastos, e não se ouve ministro reclamar", diz Eduardo Ricardo, da consultoria política Patri. "Estamos entrando num novo ciclo de administração das contas do governo. Criar despesas está mais difícil." Trata-se, evidentemente, de uma boa notícia.

O empenho de Dilma e seus ministros para tornar as contas públicas mais saudáveis se manifestou em outras frentes. O governo vem resistindo a aceitar um piso de 7% do PIB para o investimento anual em saúde (um tipo de amarra populista que pouco contribuiria para melhorar os serviços aos cidadãos), rejeitou pressões recentes por aumentos salariais para funcionários públicos e dedica-se a obter, no Congresso, a aprovação de uma nova fundação de previdência para os servidores federais, a Funpresp. Ela exigiria contribuição adicional dos funcionários públicos que quisessem aposentadorias acima de certo nível. Mas será penoso tornar essas medidas realidade. "É uma bela declaração de intenções, mas difícil de cumprir. A redução de despesas com as emendas dos parlamentares só poderia ser feita se houvesse condições políticas muito favoráveis", diz Paulo Sandroni, professor de economia da Fundação Getulio Vargas em São Paulo. Favorável ao corte dos juros, ele acredita que o ajuste das contas teria mais sucesso se o governo se empenhasse em outras frentes, como cobrar dívidas a que tem direito.

O plano do governo seria admirável se os dois resultados possíveis fossem apenas o bom (a tentativa de economizar é bem-sucedida, e o governo precisa de menos empréstimos) e o neutro (a tentativa de economizar falha e a gastança do dinheiro público continua como sempre). Mas governo e sociedade devem atentar também para o possível resultado péssimo: a tentativa de economizar pode ser apenas vento, mas forte o bastante para varrer para longe nosso curto histórico de controle da inflação e credibilidade do BC.

Seremos algum dia japoneses?

19/08/2011 - 22:52 - Atualizado em 20/08/2011 - 12:39
 
Seremos algum dia japoneses?
       
RUTH DE AQUINO
é colunista de ÉPOCA
raquino@edglobo.com.br

O dinheiro e as barras de ouro estavam em cofres e carteiras de vítimas do tsunami no Japão. Em casas e empresas destruídas. Nas ruas, entre escombros e lixo. Ao todo, o equivalente a R$ 125 milhões. Dinheiro achado não tem dono. Certo? Para centenas ou milhares de japoneses que entregaram o que encontraram à polícia, a máxima de sua vida é outra: não fico com o que não é meu. E em quem eles confiaram? Na polícia, que localizou as pessoas em abrigos ou na casa de parentes e já conseguiu devolver 96% do dinheiro.

A reportagem foi do correspondente da TV Globo na Ásia, Roberto Kovalick. A história encantou. "Você viu o que os japoneses fizeram?" Natural a surpresa. Num país como o Brasil, onde a verba destinada às inundações na serra do Rio de Janeiro vai para o bolso de prefeitos, secretários e empresários, em vez de ajudar as vítimas que perderam tudo, esse exemplo de cidadania parece um conto de fadas. O que aconteceu em Teresópolis e Nova Friburgo não foi um mero e imoral desvio de dinheiro público. Foi covardia.

Político japonês não é santo. Mas digamos que, em alguns países, os valores da população são menos complacentes do que em nosso cordial patropi. E a impunidade não é regra. Em que instante a nossa malandragem deixa de ser folclórica e cultural e passa a ser crime de desonestidade? Por que a lei de tirar vantagem em tudo está incrustada na mente de tantos brasileiros? A tal ponto que os honestos passam a ser otários porque o mundo seria dos espertos?

A presidente Dilma Rousseff não parece fazer parte do time dos espertos. É o que tem atraído para ela um tsunami de simpatia popular. Você deve ter reparado. Ao discursar, Dilma não faz piada, não diz palavrão, nem comete analogias com o futebol. Ao contrário. Ela é a antítese do palanqueiro populista. Tem dificuldade em falar a linguagem do povão até quando coloca o chapéu das Margaridas, as trabalhadoras rurais. Promete "implantar, implementar, disponibilizar".

Eles devolveram às vítimas do tsunami R$ 125 milhões. Precisamos – nós e a polícia – aprender a agir assim

Seu desconforto com o palco é evidente. Dilma lê. Não é bom para ela, porque os olhos baixam. A leitura torna o discurso mais frio e hesitante, porque há vírgulas. Ela tropeça nos travessões. Seu pensamento não flui. É pedir demais que ela se torne um dia uma oradora que arrebate multidões. Mas a ausência de carisma parece não importar ao brasileiro. O eleitor não aguenta mais a cambada que suga recursos de nossa Saúde, nossa Educação. Dilma parece um peixe fora do aquário de piranhas políticas. E por isso conquista.

"Quero reafirmar a importância concreta e simbólica do pacto que firmamos hoje. É o Brasil fazendo a faxina que tem que fazer, a faxina contra a miséria", disse Dilma na sede do governo de São Paulo. Foi um discurso para calar quem tenta isolar a presidente. Ela quis mostrar que está acima das disputas palacianas e não está sozinha coisa nenhuma. O "pacto republicano" de Dilma é suprapartidário. As fotos do "flerte" com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso devem ter causado urticária ao PT. Onde está mesmo a "herança maldita"?

Leitores me pediram para encampar a campanha anticorrupção do gaúcho Pedro Simon. Esta coluna não precisa encampar nada. Simon disse: "A sociedade tem que liderar o movimento". É patético o coro de "volta, Lula", ensaiado pelos que comiam churrasco no Palácio da Alvorada e hoje se veem privados da picanha presidencial.

As redes sociais começam a se mobilizar. Cariocas marcaram para 20 de setembro um grande ato contra a corrupção, na Cinelândia, centro do Rio, onde 200 mil pediram em 1984 as Diretas Já. "Queremos evitar batuque, por isso não escolhemos a orla", dizem os organizadores. Há a sensação de que o movimento precisa estar nas ruas para ganhar legitimidade.

Políticos incomodados tentam nos impingir o medo. Uma frente anticorrupção jogaria o país na anarquia ou na ditadura. Isso é conversa para brasileiro dormir. Um dia, todos precisaremos aprender que não se coloca no bolso, na bolsa, nas meias e nas cuecas um dinheiro que não nos pertence. É roubo.

 

 

É faxina ou fachada?

12/08/2011 - 22:39 - Atualizado em 15/08/2011 - 09:40
 
É faxina ou fachada?
                                                                            
    
RUTH DE AQUINO
é colunista de ÉPOCA
raquino@edglobo.com.br

Dilma, apelidada de "a diarista" pela faxina ética no governo, não percebeu o lixo no Turismo porque não quis. Na Agricultura e nos Transportes, a presidente pegou firme na vassoura. Mesmo quem não votou nela apoiou. Enfim, alguém começava a espanar os sujismundos em Brasília. Mas, no Turismo apadrinhado por Sarney, a diarista foi surpreendida pela limpeza promovida por 200 homens da Polícia Federal.

Só o PMDB apostava um centavo na lisura de um ministério comandado por Pedro Novais, conterrâneo do presidente vitalício do Senado, José Sarney. Para refrescar a memória, Novais, antes de assumir o Turismo, foi reembolsado pela Câmara por uma festa com 15 casais no Motel Caribe, de São Luís. Octogenário como seu mestre, casado, Novais culpou os assessores pelo "erro". Assumiu um ministério que planejava investir R$ 257 milhões e treinar 230 mil pessoas para receber turistas na Copa do Mundo em 2014.

Isso não significa que o maranhense esteja implicado no novo escândalo – embora tenha pensado em pedir demissão. Os convênios fraudulentos para treinar agentes de turismo no Amapá e no Paraná foram assinados em 2009, quando o PT e a turma da senadora Marta Suplicy estavam no comando.

Pense bem: turismo milionário no Amapá? O Estado que em 2006 elegeu Sarney senador recebeu, no ano passado, 459 turistas estrangeiros. A maior atração é a pororoca.

Agora, a pororoca foi transferida para Brasília. Denúncias em cascata dão um ar de novela. "Insensata Corrupção" é acompanhada diariamente pelo povo. Gravações mostram empresários se tratando de "bicho" e "animal", no capítulo dedicado ao Amapá. O ministro dos Transportes demitido por Dilma diz: "Eu não sou lixo". Esperamos que não seja reciclável.

O roteiro da novela é confuso porque surgem mais figurantes, siglas e partidos políticos.O dinheiro desviado costuma ser estratosférico, uma grana que 99% dos brasileiros jamais verão na vida. Computadores são confiscados, sigilos são quebrados, mas os maiores amigos do poder são poupados. As maldades dos vilões chocam até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): "As acusações geram perplexidade, insegurança e indignação". Os bispos alertam: "Sacrificar os bens devidos a todos é um crime que clama aos céus por lesar sobretudo os pobres". Nem ateus discordariam.

Dilma ficou chocada não com a corrupção no Turismo – mas com as algemas usadas pela PF

Dilma e seu vice-presidente, Michel Temer, também estão "chocados". Mas não com as ONGs de fachada, as notas fiscais falsas e a conivência de servidores num ministério que deveria servir de exemplo em véspera de Olimpíada e Copa. Estão indignados com as algemas usadas pelos policiais federais."Pegou mal", disse Temer."Um acinte", disse Dilma. "Uma operação atabalhoada", afirmou o Planalto. O presidente da Federação dos Policiais Federais,Marcos Wink, defendeu algemas para todos: "Devem ser usadas no secretário do ministério, assim como no Joãozinho da Silva lá na favela".

No centro da pororoca, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazia cara de paisagem. Garantiu desconhecer a operação que prendeu 36 pessoas no Turismo por desvio de verba. Nossa presidente não gostou. Pretende manter o controle de sua faxina seletiva e não deixar degringolar os próximos capítulos. A roteirista é ela.

Cara Dilma, começou, tem de ir até o fim. Não dá para limpar só os quartos e a cozinha. Procure os cantos das salas de estar e jantar. Retire dos armários os cabides de empregos, onde estão pendurados afilhados políticos e parentes de caciques do PMDB e do PT. Filhos, ex-mulheres, sobrinhos. Contratados sem concurso. Assuste os fantasmas, porque a opinião pública vai apoiar. Mesmo que a senhora não concorde que Ideli é "fraquinha", desautorize- a a falar bobagens. É risível ouvir de sua comadre que a operação da PF foi "armação da imprensa".

Não se deixe intimidar pela tal "base" rebelada.A democracia não será aperfeiçoada se seu governo liberar R$ 1 bilhão em emendas para esse bando concordar em votar o que interessa à nação. Há algo mais ridículo do que congressistas de braços cruzados, ameaçando uma "greve branca" contra a faxina? Com amigos assim, uma diarista não precisa de inimigos.

 

 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Brasileiro paga mais caro por quase tudo - Além dos impostos, tem a ganância e a passividade de um povo que não exerce nem conhece seus direitos.

Seu Valor


Publicado em 16/09/2011


De carro a batom, estudo com 29 produtos em 6 países mostra que Brasil é o que cobra mais

Um levantamento da RC Consultores mostra o que os brasileiros que costumam viajar sabem e sentem no bolso: o país é um dos mais caros do mundo. 

A pesquisa comparou o preço de produtos vendidos no Brasil com mercadorias idênticas à venda na África do Sul, Austrália, EUA, França e Reino Unido. 

De veículos a notebooks, passando por camisas e perfumes, 29 itens foram analisados pela empresa. 

De acordo com o estudo, a cesta brasileira de produtos custa 48% mais que a média ponderada desses países. 

O país liderou em 12 das 29 categorias da amostra. Os preços do Brasil foram os mais altos em automóvel, MP3 player, TV, Blu Ray, videogame, tênis, celular, fralda, perfume, remédio, maquiagem e notebook. 

Na África do Sul, por exemplo, um mesmo tênis Nike encontrado no Brasil por US$ 315 é vendido por preço 44% menor. 

A diferença é ainda maior se o produto em questão é o videogame Xbox 360. Para os sul-africanos, o produto sai por US$ 515, mas os consumidores no Brasil desembolsam mais que o dobro para comprá-lo. 

Paixão nacional, o carro talvez seja o exemplo mais dramático dos altos preços com os quais os brasileiros são obrigados a conviver. Vendido por US$ 69.310 nas concessionárias brasileiras (cerca de R$ 118 mil), o Hyundai Santa Fe é comprado pelos ingleses por 47% menos: US$ 36,6 mil. 

Carga tributária alta 

Segundo Fábio Silveira, responsável pela pesquisa, o brasileiro paga mais devido à "complexa e elevada carga tributária" do país. Há também o custo Brasil [ineficiência e burocracia, entre outros], o real valorizado frente ao dólar e juros elevados. 

"Não somos competitivos em produtos de maior valor agregado porque as cadeias de produção são mais longas e o efeito de acumulação de tributos é mais notável", disse Silveira. 

A carga tributária responde por 70% da perda de competitividade do Brasil, pois aqui a distribuição dos impostos pesa mais sobre os produtos que sobre a renda. 

Só 8 dos produtos analisados, no Brasil, ficaram abaixo do preço médio apurado: máquina de lavar, jeans de loja de departamento, jornal, shampoo, leite, açúcar, café e cerveja.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CAMPANHA CONTRA A VOLTA DA CPMF - PARTICIPE!

Fonte: http://www.portaltributario.com.br/artigos/campanhacontracss.htm


CAMPANHA CONTRA A VOLTA DA CPMF - PARTICIPE!

 

 

Nossa Pátria está sendo assolada pelo vírus da tributação - ajude a extirpar este mal!

 

As despesas do Governo Federal dispararam, conforme amplamente noticiado pela mídia nacional. Os gastos, juros e desperdícios governamentais já consomem em torno de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, um verdadeiro absurdo. A Nação é sugada descaradamente pelo Governo Federal - trabalhadores e empreendedores estão pasmos com a retórica populista/tributarista da era FHC/Lula.

 

Buscando  um melhor equilíbrio fiscal, Lula e Dilma declararam que irão pressionar o Congresso para o retorno da cobrança da CPMF, agora rebatizada de CSS - "Contribuição Social para a Saúde". Muitos governadores manifestaram apoio para que a CPMF retorne, desde que seus estados também recebam parte dos recursos da arrecadação deste tributo.

 

A CSS é uma verdadeira "Contribuição sobre Salários e Soldos", pois afeta duplamente os trabalhadores e profissionais liberais:

 

1.      Pelo pagamento indireto em seus salários e rendimentos, através dos débitos bancários e

2.      Pelo repasse que as empresas fazem aos produtos, relativamente à transferência de custos com a contribuição.

 

A CPMF começou com alíquota de 0,2% e depois aumentaram-na para 0,38%. Após uma dura luta - onde nós (contribuintes) participamos ativamente, protestando na imprensa e pressionando o Senado - a CPMF foi extinta no final de 2007. Afinal, é a pressão da sociedade e dos contribuintes que possibilitará reduzir a carga tributária brasileira e o gigantismo do Governo Federal.

 

Só para lembrar aos que defendem a volta da CPMF como forma de fiscalização e pressão sobre os contribuintes: não se esqueçam que a Receita Federal tem um arcabouço eletrônico à sua disposição, e pode perfeitamente identificar quem sonega, através das informações geradas pelos bancos e outros contribuintes (como dados sobre movimentação de cartões de crédito, operações imobiliárias, cruzamento de dados sobre pagamentos e deduções efetuadas, DIMOF - Declaração de Informações sobre a Movimentação Financeira, etc.) – utilizar a CPMF/CSS como recurso fiscalizatório é apenas um argumento fútil para os ingênuos engolirem.

 

E, para quem acha que a CSS vai proporcionar mais recursos para a saúde: a CPMF, enquanto vigorou, arrecadou em torno de R$ 400 bilhões – mas será que a saúde do povo melhorou? O que vimos foi deterioração no quadro geral de atendimento à população, hospitais públicos fechando ou sendo interditados, etc. Enfim: imposto não resolve o problema de saúde, o que resolve é uma boa gestão dos recursos já existentes!

 

Quando a CPMF não foi prorrogada em 2007, foi introduzida uma alíquota adicional no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de crédito, então, na prática, não houve desoneração, embora os recursos arrecadados não tenham sido aplicados na área de saúde. 
 

Além disso, o total de tributos arrecadados no Brasil deverá superar R$ 1,2 trilhão em 2010 (conforme projeção do site Impostômetro) – você não acha que já é dinheiro suficiente para os governos, e que há recursos de sobra para a saúde – bastando haver boa vontade (e menos desvios) na aplicação deste dinheiro?

 

Agora, para efetivamente entrar em vigor o novo encargo sobre a população brasileira, a nova CPMF deve ser aprovada pelo Congresso.

 

Se você não concorda com mais este aumento de tributos no Brasil, escreva protestando para senadores e deputados federais – sua participação é importante!

 

Pressione senadores e deputados contra a instituição da CSS – remeta mensagens, e-mails, fax, telefone – veja a lista de senadores e contatos com deputados federais. Veja sugestão de texto de protesto:

Nós, trabalhadores e empreendedores do Brasil, não aguentamos mais a carga tributária sobre nossas costas, e ainda Lula e Dilma manifestaram a intenção de pressionar o Congresso (via governadores tributaristas e oportunistas) para o retorno da CPMF! É mais um tapa na cara de quem produz e trabalha.

 

Chega de aumentar tributos neste país!

 

Como você vai se posicionar?


Recebemos muitas manifestações sobre a campanha contra a volta da CPMF. Selecionamos algumas:

A CPMF nunca serviu a saúde, trabalho nela e a cada dia a saúde no Brasil piora, diria que atualmente está chegando na UTI, basta acompanhar os hospitais públicos. Se diminuírem os gastos e a retirada para os próprios bolsos (políticos), garanto que teria dinheiro para tudo, principalmente saúde e educação... SB

Mais uma vez "nossos representantes", se mostraram preocupadíssimos com a SAÚDE, - deles. Gerson

Temos que fazer alguma coisa para acabar com essa palhaçada e o descaso com o povo brasileiro, que só paga, paga, paga. Paga de todas as formas possíveis e imaginárias e não têm nenhum benefício digno em contrapartida. Temos que nos unir e exercer nosso papel de cidadão consciente. OBC - Contabilista

É um absurdo o que nossos governantes fazem com os brasileiros que mais necessitam da saúde publica, aumentam a carga tributária - mas quando alguém precisa dos serviços de saúde os próprios médicos do SUS falam que para terem um tratamento adequado é melhor fazer um plano de saúde, porque o sistema não atende. DL

...mais um imposto entre tantos outros que serve somente para manter a mamata dos apadrinhados que loteiam a nação! PK

A saúde já é um dos principais setores que estão enquadrados na "conta" que pagamos relativo aos impostos recolhidos. Se eles realmente têm a intenção de melhorar a saúde da população, que fiscalizem melhor o dinheiro que circula pelos cofres do governo... S - Estudante de Administração

É um absurdo dizer que esta contribuição é para a saúde, o dito CPMF também era, e a saúde está um caos... MLSR

Se é necessário imposto para a saúde, é necessário também para a educação, para o transporte e, com esse raciocínio não interessa mais cortar gastos públicos, porque é muito fácil resolver o problema de caixa: - basta aumentar impostos... RM

É uma vergonha a Câmara aprovar mais este imposto em um país que só perde para a Finlândia em arrecadação de impostos. Vieram com a desculpa de que "acabaram" com a CPMF para aumentarem a alíquota do IOF e a contribuição do INSS na folha de pagamento dos trabalhadores.... O problema é que os políticos estão achando muito pouco o dinheiro que está indo para os cofres públicos ... enquanto isso, o pobre morre nas filas dos hospitais e postos de "saúde"... GAM


CSS. Tributo fiscalizatório. Inconstitucionalidade

Fonte: http://jus.com.br/revista/texto/11433/css-tributo-fiscalizatorio-inconstitucionalidade


O Projeto de Lei Complementar nº 306/08, que institui a CSS – Contribuição Social para a Saúde, configura autêntico desvio de finalidade e, como tal, é inconstitucional.

Não faz sentido buscar nova fonte de receita derivada, para financiar o setor de saúde, quando a arrecadação tributária está gerando superávit todo mês.

O § 3º do art. 198 da CF, que o PLC pretende regular, não pressupõe criação de novo tributo, mas tão-somente a fixação de um percentual da receita de impostos federais para o setor de saúde, a exemplo do que já existe para a manutenção e desenvolvimento do ensino. Essa vinculação, de antemão, está excepcionada da proibição do art. 167, IV da CF.

O que o governo quer é a recriação da extinta CPMF, para fins fiscalizatórios, em face das dificuldades jurídicas encontradas para implementação de medidas tendentes à quebra do sigilo bancário. Daí o baixo percentual da alíquota de um décimo, que, entretanto, com o passar do tempo, será majorado para cumprir, também, o papel de tributo arrecadatório. Aliás, basta a simples leitura ocular do art. 20 desse projeto legislativo para detectar a verdadeira finalidade do novo tributo que se pretende criar.

Efetivamente, não há motivação válida. Se há carência de recursos no setor da saúde pública basta suplementar as dotações respectivas, utilizando como fonte o excesso arrecadado todo mês. Daí o desvio de finalidade que contamina a iniciativa legislativa, tornando-a inconstitucional.

Há também inconstitucionalidade material.

Toda contribuição social não prevista no elenco do art. 195 da CF deve submeter-se integramente ao disposto no art. 154, I da CF.

Não basta a formalidade de lei complementar. É preciso que a nova contribuição seja não-cumulativa, bem como que a sua base de cálculo não coincida com a de qualquer imposto previsto na Carta Política.

A forma de arrecadação prevista – diretamente pelo sistema bancário – impossibilita a tributação não-cumulativa, o que afronta o segundo requisito constitucional.

Da mesma forma, a base de cálculo da CSS coincide com a do IOF, na sua modalidade de incidência sobre as operações de crédito, afrontando o terceiro requisito constitucional. O PLC cumpre apenas o primeiro requisito, pertinente à exigência de lei complementar.

Ex positis, trata-se de um Projeto de Lei Complementar natimorto.


Se esse é o "desvio" dos transportes, quanto será o da saúde? Se juntar todos os ministérios será que chega no investimento necessário a saúde?!

CGU aponta prejuízo de R$ 682 mi nos Transportes

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que as irregularidades no Ministério dos Transportes, que resultaram em uma "faxina" na pasta e no pedido de demissão do ex-ministro Alfredo Nascimento, totalizaram um prejuízo potencial de R$ 682 milhões, 13% de um total de R$ 5,1 bilhões fiscalizados. 

Ao todo, foram 66 irregularidades em 17 processos analisados. 

O maior número de irregularidades, como superfaturamento e pagamento por serviços não realizados, foi constatado nas obras do lote 7 da BR-101, em Pernambuco. 

No relatório, a CGU relata ainda que, tanto no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) quanto na Valec, a estatal do setor ferroviário, "raríssimos são os empreendimentos em que não há acréscimos de custos". 

As investigações começaram no dia 6 de julho, por determinação da presidente Dilma Rousseff, após denúncias de desvio de verbas. 

A CGU fez questão de afirmar que as investigações contaram com "o pleno apoio do ex-ministro Alfredo Nascimento". 

Em nota, Nascimento afirma que o relatório da CGU não esclarece o suposto envolvimento de integrantes de sua equipe na alegada prática de irregularidades.
 
Irregularidades derrubaram o ex-ministro Alfredo Nascimento 
agência brasil

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Enquanto todos ficam "vendados" a inflação continua subindo e o governo "camufla" o sol com a peneira.

Seu Valor


Serviços têm a maior alta em 14 anos e afetam classe média
Publicado em 08/09/2011 



Aumento da renda aquece demanda, e preços do setor sobem 8,93% em 12 meses, acima do IPCA



Aumento da renda e baixo desemprego aquecem a demanda por serviços no Brasil e quem mais sente o peso no bolso é a classe média. 

A inflação dos serviços acelerou em agosto, com alta de 0,50%, ante 0,42% em julho, e ficou bem acima da inflação oficial medida pelo IPCA, segundo dados do IBGE. No ano, até agosto, o setor tem alta média de preços de 6,83%, contra 4,42% do IPCA. No acumulado de 12 meses, os serviços estão, em média, 8,93% mais caros, o maior patamar desde agosto de 1997. Em um ano, a inflação oficial avançou 7,23%. 

Ginástica e hotéis 

Os reajustes de preços pegaram em cheio quem se matriculou em natação e ginástica, ou ficou em hotel no mês de agosto. Essas foram as maiores altas de serviços no mês passado, que encareceram respectivamente 3,71%, 2,33% e 2,64%, bem acima da alta do IPCA no mês (0,37%). No ano, a expansão chega, por ordem, a 10,31%, 7,87% e 13,28%. 

"Ao contrário dos alimentos, os serviços inflacionados pesam mais no bolso da classe média. O preço de estacionamento, por exemplo, acumula alta de 11,2% em 12 meses e o médico subiu 10,5%", afirma Daniel Lima, analista da Rosenberg & Associados. 

Falta mão de obra 

Um dos motivos para a alta dos preços de serviços é a falta de mão de obra, que vem garantindo aumentos reais de salários. Além disso, o setor não é beneficiado pela concorrência das importações mais baratas. 

Apesar da perspectiva de desaceleração da economia, a demanda por serviços e a alta dos salários deve continuar pressionando os preços.

Governo adia IPI maior para cigarro

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Não sei se votaremos nos antigos bandidos ou nos novos ladrões?


Arquivamento do caso Palocci é 'senha para impunidade', diz OAB

Procurador-geral arquivou pedidos de investigação contra ministro.
Em nota, OAB diz que recebeu decisão com 'frustração e decepção'.


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota nesta terça-feira (7) em que afirma ter recebido com "frustração e decepção" a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de arquivar as representações contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pela oposição. Conforme a OAB o arquivamento é uma "senha para impunidade".

A oposição questiona a evolução patrimonial do ministro após reportagem da "Folha de S.Paulo" apontar, em 15 de maio, que o patrimônio do ministro cresceu 20 vezes entre 2006 e 2010.

"Ninguém vinha atribuindo culpa a quem quer que seja. O que a sociedade esperava era a investigação da situação que envolvia o ministro Palocci por parte do Estado brasileiro, aí representado por quem pode fazê-lo, que é o Ministério Público Federal. (...) Com a decisão, a leitura que se transmite à sociedade é, lamentavelmente, a de que se conferiu uma senha para a impunidade neste país", diz a nota, que atribui as declarações ao presidente da entidade, Ophir Cavalcante.

"Essa decisão da PGR, de optar pelo arquivamento, pode servir para que o ministro definitivamente deixe o cargo. Se faltava uma motivação maior além das de ordem política e moral, que já existiam, esta, de ordem jurídica, justifica a sua saída do cargo neste momento", finalizou.

Defesa de Palocci
Nesta terça, a  defesa do ministro afirmou que a decisão do procurador-geral da República encerra as discussões jurídicas sobre a evolução patrimonial.

"A matéria está exaurida na instância adequada. Do ponto de vista jurídico, esse assunto está definitivamente encerrado. É uma decisão jurídica que mostra que vivemos num estado democrático de direito em que as leis governam as atitudes e não o contrario", afirmou o advogado José Roberto Batochio, que defende Palocci.

Para a defesa, mesmo não tendo analisado a acusação de improbidade administrativa, o procurador-geral isentou Palocci e a empresa Projeto de "qualquer irregularidade". No último dia 27 de maio, a Procuradoria-Geral da República no Distrito Federal abriu investigaçãopara apurar a evolução patrimonial de Palocci e as atividades de sua empresa de consultoria. No despacho, o procurador disse que essa assunto deve ser analisado pela procuradoria no DF.

"O fato é o mesmo e o chefe do Ministério Público (o procurador-geral da República) diz que não encontrou nenhum ato que seja irregularidade. Irregularidade criminal também não é irregularidade civil. Já se afirmou com todas as letras não há indícios de qualquer irregularidade", afirmou Batochio.

De acordo com a legislação brasileira, o procurador-geral da República tem atribuição de investigar ministros e parlamentares – que possuem foro privilegiado – apenas em âmbito criminal. Na esfera cível, a prerrogativa de investigação é dos procuradores que representam o Ministério Público nos estados e no DF.

Arquivamento
No despacho que determinou o arquivamento, Gurgel afirmou que não é atribuição da PGR analisar representações que se refiram a atos de improbidade administrativa. "Os fatos [...], tais como descritos nas representações, não configuram infração penal. [...] A lei penal não tipifica como crime a incompatibilidade entre o patrimônio e a renda declarada. Trata-se de fato que, em tese, poderá configurar ato de improbidade administrativa", afirmou o procurador no documento.

De acordo com o procurador, não é crime possuir patrimônio incompatível com a renda. Segundo ele, isso só pode ser considerado ilegal se a origem dos bens for ilícita.

http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/06/arquivamento-do-caso-palocci-e-senha-para-impunidade-diz-oab.html